
Como eu sei, fisicamente, que as Festas de Fim de Ano se aproximam:
* Passei a sexta-feira pendurada em uma matéria só, que não consegui fechar (pensamento viaja);
* No fim da sexta-feira, já não consguia raciocinar e tudo passou a me perturbar. Fui ao banheiro de cinco em cinco minutos. Não era apenas o ato da caminhada (para tirar o estresse), mas o motivo líquido de se ir ao banheiro acontecia com louvor;
* Raciocínio lento para as piadas em torno de minha pessoa e respostas rápidas (e brutas) para perguntas simples. Tadinho do meu chefe, dei uma patada nele e ele olhou para mim rindo, meio incrédulo, porque sou levinha no trato. Era a senha para ir para casa;
* Cheguei em casa e chorei;
* Fui tomar banho, pensei em uma pessoa, senti saudade e chorei;
* Acordei no sábado chorando. Foi assim: abri os olhos e chorei;
* Xuxa na TV realizando o sonho de crianças com deficiência e eu quase virando gelatina fora da geladeira (molhei toda a almofada da sala, ofeguei, perdi o ar, tremi os lábios, fiquei sozinha);
* Fui almoçar com os amigos que chegaram de Houston. Caminhada média até o restaurante. Óculos escuros e lágrimas involuntárias nos olhos;
* Almoço de poucas palavras;
* Luciano Huck na TV com o quadro do "Lata Velha" (covardia, né?). O casal dançando a música de "Dirty Dancing" e eu chorando, porque queria alguém para dançar comigo, mesmo eu tendo as duas pernas esquerdas e a coordenação de um mamute coxo;
* Sério, acho que chorei o sábado inteirinho, com pequenos intervalos de hidratação (por isso liguei para algumas pessoas, que jamais desconfiariam da minha dor. A pior coisa nesse estado é você ter que justificar o que não tem explicação lógica);
Gente! Ninguém merece ficar ouvindo o relato de uma mulher que parece ser a sucursal carioca da Fontana de Trevi, não é? Mas eu quis mostrar essa fragilidade aqui. Assim como eu, muita gente também fica mais sensível com a chegada das festas de Fim de Ano.
No meu caso, os problemas (meus e dos que me são próximos) e as questões mal resolvidas ganham regra três de intensidade. O que me perguntei antes de escrever foi: será que devo contar esse fato aqui? A pergunta seguinte foi: e por que não? Sinceramente, não sou única e quero dar voz aos sensíveis.
Sensibilidade não é sinônimo de falta de coragem, fraqueza ou carência. Idiota chamo os que pensam assim - pelo menos no meu caso. Retardado eu chamaria os que se afastam de pessoas assim. Porque a última coisa que quero é dar trabalho ao outro, muito menos ter que dar explicação. E talvez por isso eu escreva. Os sensíveis não quebram. Eles molham, mas não quebram.
Detesto que me vejam chorar, mas isso tem sido uma constante. Falta de abraço e proteção. Excesso de: "não fica assim"! Hello!? Ato involuntário. Saudade dos que já foram, vivos e mortos. Revisão involuntária da vida, ganhos e perdas. Sempre acho que perdi mais que ganhei e começo a pensar que tenho sonhos - totalmente possíveis - que não foram feitos para mim. Será? Por que sonhá-los então? Como eles vieram para aqui no meu peito? E por que se recusam a partir?
Fim de Ano para mim é um tempo lacrimoso. Fatos me emocionam, coisas me perturbam. E não sou a única...
Domingo acordei muito melhor. Encimesmada, porém cheia de novidades próprias. Acho melhor nem ver televisão...